Penso, logo existo?

Napoleão: Monsieur Laplace, por que o Criador não foi mencionado em seu livro Mecânica Celeste?

Laplace: Sua Excelência, eu não preciso dessa hipótese!

        Esse diálogo entre Napoleão Bonaparte e o Ministro do Interior dele, o famoso matemático e físico Pierre Laplace, reflete o pensar moderno: "O eu é causa-de-si, é a absoluta realidade; o eu é tudo, tudo é eu, ele é ato gerador de tudo" (Schelling). E o (...) "mundo é minha representação. (...) Tudo o que é objetivo é fenômeno, simples fenômeno cerebral, e a vida não se contenta com assemelhar-se a um sonho, ela é um sonho" (Schopenhauer). Assim os filósofos quiseram colocar o "trono" do homem acima do "trono" de Deus. Eu falei em Deus? "Ai, meus irmãos, esse deus, que eu criei, era obra humana e delírio humano. Os deuses morreram desde há muito; e, na verdade, morreram de uma boa morte alegre, como cabe a deuses" (Nietzsche).

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Sinto, logo existo!

A arrogância e a prepotência materialistas elegeram a sentença cartesiana “Penso, logo existo” como fator primordial para o subsistir humano e, logo tornou-se o alicerce da ciência baseada em evidência. Sob o primado dessa ciência, chegamos ao fundo do poço do tecnicismo, com a lógica matemática e o sucesso dos modelos informático-computadorizados. Em decorrência disso, desde os primeiros anos de escola somos treinados como repositórios intelectuais dos conhecimentos técnicos (física, matemática, etc); assim as culturas desenvolveram-se com aquisições de novos saberes. Como conseqüência, tornamo-nos “cidadãos” do mundo civilizado, pois comungamos os mesmos pensamentos e usamos as mesmas palavras. Não resta dúvida de que somos agradecidos por essa “evolução descendente”, para dentro das fimbrias da materialidade.

Qual o objetivo dessa decantada evolução? – Conhecer a matéria; e como corolário, conquistamos a “liberdade” (liberdade das leis da natureza). Tornamo-nos livres e julgamos criadores do mundo e do Universo, pois “basta pensar para existir” (cogito ergo sum)....

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Ética e Moral

Encara-se amiúde a ética como se fosse a soma das normas a serem observadas pelo agir humano. (...) A ética seria um código de todos os ideais humanos, uma resposta pormenorizada à pergunta: "O que é bom?" Tal ciência, porém, é impossível. Não pode haver resposta geral a essa pergunta. Com efeito, a ação ética é um produto do que se manifesta no indivíduo; nunca é dado de forma geral, mas sempre em casos isolados. Não existem leis gerais sobre o que se deve fazer ou deixar de fazer. (...) Um direito natural geral que fosse válido para todos os homens e todos os tempos é um absurdo. (...) Não se pergunta: O que deve o homem fazer? Mas sim: Qual é a essência íntima daquilo que o homem faz? Desta forma, desmorona a barreira que divide toda ciência em duas esferas: a doutrina do que é, e aquela do que deveria ser. Como qualquer outra ciência, a ética é uma ciência daquilo que é. (...) Mas no agir humano não pode existir ciência: pois ele é incondicionado, produtivo, criador. A jurisprudência não é ciência, mas apenas uma coleção de anotações dos costumes jurídicos próprios à individualidade de um povo.

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Evolução da Humanidade

         Pretende-se, com este artigo, mostrar a evolução da humanidade através dos estudos da Lingüística (Filologia Histórica Comparativa), da Bíblia (Gênesis e Apocalipse) e da Antroposofia (Crônica do Akasha). A primeira estuda as afinidades entre as línguas conhecidas, no sentido de se encontrar um "elo" entre elas, a segunda relata os caminhos do homem e da humanidade desde os primórdios até... os tempos "apocalípticos" e a última referanda os caminhos apontados e dá um embasamento maior à História do homem.

        Chegou-se à conclusão de que existe uma grande "família lingüística" entre as línguas européias [albanesa, balto-eslávicas (russo, letão, tcheco, etc.), celtas, germânicas (alemão, inglês, sueco, etc.), grega, ilíria, itálicas (latim e suas descendentes, inclusive o português), etc.] e as asiáticas [armênia, indo-iranianas (sânscrito, persa, etc.), hitita, etc.]. Pode-se ver, nestes exemplos, as mesmas raízes: no latim (genus, generis, genere, genera, generum, etc.), no grego (génos, géneos, géneï, génes, genéon, etc.) e no sânscrito (ganas, ganasas, ganasi, ganassu, ganasam, etc.). Nesse sentido, pergunta-se: existe uma "língua-mãe" (ou um povo), que pudesse dar origem às inúmeras línguas?

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Teoria da Evolução

        Desde os primórdios, o ser humano indaga a sua origem, perscrutando as estrelas. Assim fizeram os babilônios, há 3000 a.C., acreditando que os corpos celestes eram moradas das hierarquias espirituais e de lá influenciam os afazeres humanos. Também assim fizeram Aristóteles com a visão antropocêntrica (a Terra como centro do Universo finito) e Kepler com a visão teocêntrica (Deus é o centro). Mas o pensar materialista foi preponderando, através de Copérnico com a visão heliocêntrica (o sol como centro do nosso sistema solar), de Friedmann, Einstein e Hubble com o Universo em expansão, até chegarmos à moderna teoria de Gamow, o famoso Big-Bang.

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Teoria do conhecimento

        A teoria do conhecimento, como o nome diz, é uma teoria, ou seja, uma explicação e uma interpretação do conhecimento humano. Ela faz referência objetiva do pensamento, na sua relação com os objetos. Só que a ciência atual, ao se fixar no dogma imposto por Kant (O que eu posso conhecer? - Resposta: "Eu posso conhecer apenas o que a Ciência determina"), fez nascer a tecnologia do conhecimento, para visar somente a "produção tecnicista". Assim ela é aplicada na nossa vida, através da TV, rádio, jornal, revista, moda, propaganda, cultura, ciência, ensino, medicina, comércio, etc.

        Mas a sua premissa básica é: o que é o conhecimento? Essa pergunta abre um leque muito maior do que a anterior, porque se interessa pelo fenômeno do conhecimento (ou seja, como se processa o conhecer dentro do ser humano?). Como se verá, deve- partir da "observação" e da "descrição" exata do objeto, para se ter a "idéia" do fenômeno. 

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Ciência dedutiva de Goethe

        Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832) é conhecido entre nós apenas como literato, poeta, dramaturgo, romancista e crítico; o autor do Fausto! No entanto ele foi naturalista, cientista (desenvolveu estudos sobre Mineralogia, Osteologia, Ótica e Botânica) e exerceu também com rara eficiência cargos públicos. Ele resgatou a Metodologia Científica Dedutiva, a qual havia sido traçada por Aristóteles, para ser aceita como uma metodologia científica de validade universal. Rudolf Steiner foi o responsável direto pela compilação das obras científicas de Goethe e criou o "método goetheanístico".

        Este artigo faz referência especial à metodologia científica dedutiva ampliada por Goethe, nos seus escritos científicos no seu livro TEORIA DE LA NATURALEZA (Madri : Tecnos. 1997 – traduzido para o espanhol). 

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Platônicos x Aristotélicos

Platônicos
 
Aristotélicos
versus

 

Muitos ouviram falar das correntes platônica e aristotélica. Seriam elas antagônicas, que se digladiariam entre si? Engana-se quem assim pensa. Cada qual representa importante processo de evolução humana, em fases distintas. Cada qual aborda o ser humano a partir de um ponto de vista: Platão disseca a "alma" (é o maior dos Psicólogos) e Aristóteles adentra o "espírito" (é o maior dos Cientistas Dedutivos Goetheanistas), cujas simbologias estão retratadas acima: Símbolo Platônico --- "cobra mordendo o próprio rabo" (urobolo indu), representa as forças "anti-luciféricas" e Símbolo Aristotélico --- "bastão segurando a cobra" representa as forças "pró-crísticas". Como se verá, no texto abaixo, historicamente há uma metamorfose entre os dois impulsos, uma evolução por acréscimo de "força superadora do pecado". Ou seja um não pode viver sem o outro e por serem polares, fazem parte de um todo. Um vem do passado mais remoto e o outro é o representante do futuro. Nossa tarefa é tecer o liame que unam os extremos para viver no presente.

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Édipo

A trágica iniciação de Édipo


Quem nunca ouviu falar de Édipo, Laio e Jocasta? Pelo menos, por causa da novela da Globo, todos se lembram da “história do filho que mata o pai e casa com a própria mãe”. Por causa disso, desgraça a si, sua família e toda a comunidade onde morava. O que se encontra por detrás desse “drama” escrito por Sófocles, 400 a.C.? 

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As três Qualidades Anímicas

Para uma maior compreensão das três qualidades da alma se recorrerá ao estudo das três marcantes personalidades bíblicas: Maria Madalena , Judas e Lázaro . Deve-se reportar a estas como imagens arquetípicas da alma de qualquer ser humano. Quantas vezes não se é uma Maria Madalena ou um Judas ? Como se deve se esforçar para se tornar um Lázaro ressuscitado pelo Cristo, como discípulo que o Mestre mais amava ? 1

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