As três Qualidades Anímicas

Para uma maior compreensão das três qualidades da alma se recorrerá ao estudo das três marcantes personalidades bíblicas: Maria Madalena , Judas e Lázaro . Deve-se reportar a estas como imagens arquetípicas da alma de qualquer ser humano. Quantas vezes não se é uma Maria Madalena ou um Judas ? Como se deve se esforçar para se tornar um Lázaro ressuscitado pelo Cristo, como discípulo que o Mestre mais amava ? 1

Judas morava em Jerusalém e como todo bom cidadão se sentia orgulhoso de pertencer ao povo, por participar das leituras dos livros sagrados no templo. No entanto odiava os romanos que dominavam as suas terras e esperava assim, ansioso, a vinda do Messias que seria o libertador do jugo romano. Seu maior desejo era poder estar participando desse momento histórico; e assim era imprescindível encontrar-se com “Ele”, para poder colaborar nesse grandioso plano político. Como só via a política em sua frente, não compreendeu as metas profundas do Mestre, que estava trazendo as realidades de um outro mundo, onde a semente do amor deve ser semeado no terreno fértil do coração. Com sua visão míope da unilateralidade das coisas, serviu como elemento para concretizar as metas do Mestre: “... Eu os protegi e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura ”. (João 17,12)

Em Getsêmani , quando orava, o corpo de Jesus já não estava mais suportando o poder solar do Cristo, o qual habitava por três anos. Isso poderia provocar uma morte precoce. Com a palavra o médico Lucas: “ Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Contudo não se faça a minha vontade, mas a tua! Apareceu-lhe um anjo do céu que o confortava. Tomado de angústia, Jesus orava com mais insistência. Seu suor tornou-se como gotas de sangue, que caiam no chão ”. (Lucas 22,42). Essa súplica do Cristo não era porque recusasse a morte, pois Ele veio para isso, para vencer a morte e só passando por ela é que poderia sair vitorioso e glorificado: “ Chegou a hora em que o Filho do Homem vai ser glorificado. Eu garanto a vocês: se o grão de trigo não cai na terra e não morre, fica sozinho. Mas se morre, produz muitos frutos. Quem tem apego à sua vida, vai perdê-la; quem despreza a sua vida neste mundo, vai conservá-la para a vida eterna. (...) Agora estou muito perturbado. E o que vou dizer? Pai, livra-me desta hora? Mas foi precisamente para esta hora que eu vim. Pai, manifesta a glória do teu nome! ” (João, 12,23-28). Somente um anjo do céu pôde confortá-lo nessa hora. Chega o “filho da perdição”, o traidor, que pôde ajudar o Cristo, para que, ao enfrentar a morte na cruz, pudesse vencê-la, com a ressurreição.

No dia anterior à Páscoa, Jesus foi com seus discípulos para Betânia, onde Lázaro morava. Marta, sua irmã, preparara uma refeição festiva e Lázaro também estava à mesa. Então Maria, a outra irmã, levantou-se, tomou um frasco com precioso óleo de nardo, ungiu os pés do Senhor e enxugou-os com seus cabelos. Lázaro, que já conhecia a morte, sabia o que aquilo significava. Com tal unção as pessoas preparavam seus moribundos para morrer. Os discípulos não estavam pensando em morte e reclamaram por causa do que Maria estava fazendo. Judas disse:

– Para que tal desperdício? Por que não vendeste o óleo por 300 denários e distribuíste o dinheiro aos pobres?

Jesus respondeu:

 Deixai-a. Ela praticou uma boa ação, preparando meu corpo para a morte. Pobres sempre os tereis convosco, mas a mim em pessoa não tereis sempre. O que ela me fez, será contado sempre no mundo inteiro. Onde quer que falem a meu respeito, também dela falarão.
 “Ele fala em morrer, antes de ter libertado o meu povo. Ele não é o Messias. Mas se realmente o for provar-lo-á ao mundo realizando um milagre perante a face da morte” – assim cogitava Judas consigo mesmo. “Vou levá-lo à morte, para que finalmente, possamos ter certeza, se ele é o Messias ou não”. Judas saiu da casa de Lázaro, foi ao templo e perguntou aos sacerdotes:

– O que me dareis, se eu vos mostrar esse Jesus de Nazaré?

Os sacerdotes ficaram contentes e disseram:

– Dar-te-emos trinta moedas de prata.

Judas pegou o dinheiro e disse:

Depois da ceia da Páscoa ele irá a Getsêmani para orar. Para lá conduzirei vossos servos. Dizei-lhes: Aquele que eu beijar, é ele.

Quando o Cristo se reuniu com os discípulos para a ceia, olhou para Judas lembrando-se de ter falado com ele e Lázaro sobre o portal estrelado. Quando ficara comovido quando, por meio de Lázaro, fora-lhe permitido manifestar a face clara da morte! Agora estava chegando a vez de experimentar a face obscura por meio de Judas. Previu o sofrimento, não só o seu, mas também o terrível sofrimento de Judas, que fazia parte do seu próprio sofrimento. Outra vez as lágrimas brotaram em seus olhos, tanta era sua comoção.

Sim eu vos digo – começou a falar – um entre vós irá trair-me. (...)

Aquele a quem eu umedecer o bocado e oferecer, é ele. disse Jesus. Umedeceu o bocado e ofereceu-o a Judas.

Assim que Judas o comeu, o poder do mal entrou nele. 2

Lázaro era da cidade de Bethânia e passou por um antigo processo de iniciação, que correspondia a ficar em sarcófago por três dias , com o objetivo de procurar o Ser Solar (o Cristo ) no Sol. Por isso esta antiga sentença: In solem posuit tabernacula sua (No sol o nosso Demiurgo fez a sua morada). Era um processo perigoso, que podia ser fatal, pois implicava na saída da alma e do Eu do corpo; assim era realizado esse ritual no antigo Egito. Só que, naquele tempo bíblico, o Ser Solar fez o seu “tabernáculo” na Terra e não se encontrava mais no cosmo-espiritual. Foi o próprio Cristo quem completou o ritual, consagrando assim a primeira iniciação cristã. Lázaro recebe um novo nome de batismo: João , pelo próprio Cristo. É o mesmo nome de outro, Batista, que morrera pouco tempo antes, mas que deseja acompanhar Aquele a quem anunciara no deserto. Isso se pode constatar, na impressionante visão artística de Mathias Grünewald . 3

Lázaro, que é citado como “ aquele a quem amas ”, experimentou um antigo processo de iniciação, só que recebe do próprio Cristo a primeira iniciação cristã. Por isso se torna capaz de receber os desígnios do Cristo como João evangelista e do autor do Apocalipse . Não se pode confundi-lo com João e Tiago , filhos de Zebedeu , que moravam em Betsaida , quando se tornaram um dos doze apóstolos. Mas, estas palavras servem para definir que João é o mesmo Lázaro, nesta passagem: “ A mãe de Jesus, a irmã da mãe dele, Maria de Cleófas e Maria Madalena estavam junto à cruz. Jesus viu sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele mais amava ” (João 19,25).

Com a vinda do Cristus-Solis , os antigos mistérios são execrados e renovados pelos novos mistérios cristãos. Isso pode ser confirmado pela impressionante imagem da segunda-feira da Páscoa: Jesus-Cristo corta a figueira . O que tem a pobre árvore com isso? Ficar meditando sentado embaixo da figueira era uma antiga forma de iniciação, a qual se “revivia” dentro de sua alma algo paradisíaco pré-egóico, de retornar à antiga Atlântida. O cruzar as pernas significa abandonar e não se interessar pelo mundo ao seu redor. A mensagem do Cristo é justamente o contrário dessa atitude passiva, pois traz a luta diária contra as imperfeições, na consciência das coisas do mundo físico e espiritual, no caminho da libertação das amarras do físico, para o futuro apocalíptico.

Maria Madalena , natural de Bethânia, era conhecida como pecadora do balneário de Tiberíades. Observa-se assim uma alma bem intranqüila, cheia de desejos, insatisfeita, assim como a de Judas. Mas nela, a procura íntima pelo Mestre, a faz transformar-se em uma alma devocional. Nós a vemos todas as vezes untando os pés do Mestre, numa forma de total entrega. Com essa “força do amor” consegue redimir seus pecados anímicos. Com um Querer (atuar) forte e marcante, torna-se útil e com isso torna-se a candidata a ser a primeira a ter a visão (anímica) do Cristo ressurrecto. Ela que tinha ficado do lado de fora, chorando junto ao túmulo, viu dois anjos vestidos de branco, onde haviam colocado o corpo de Jesus:

Os anjos perguntaram: Mulher, por que está chorando?

Ela respondeu: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o colocaram.

Depois de dizer isso, Maria virou-se e viu o Cristo de pé; mas não sabia que era Ele.

O Cristo perguntou:

 Mulher, por que está chorando? Quem é que você está procurando?

Maria pensou que fosse o jardineiro e disse: Se foi o senhor que levou o Cristo, diga-me onde o colocou e irei buscá-lo.

Então o Cristo disse: Maria.

Ela virou-se e exclamou em hebraico: Rabuni (que quer dizer: Mestre).

O Cristo disse: Não me segure, porque ainda não voltei para o Pai ( João 20,11-17 ).

Nesse momento, no terceiro dia depois da morte, no primeiro dia da semana , que corresponde ao domingo (da Páscoa 4 ), quando normalmente o corpo etérico estaria se dissolvendo numa pessoa comum, o Ressurrecto retém esse corpo sutil, tanto que Madalena não pôde tocá-lo. Uma semana depois, os discípulos estavam reunidos de novo. Estando fechadas as portas, o Cristo entrou e ficou no meio deles e disse: “A paz esteja convosco”. Depois disse a Tomé: “Estenda aqui o seu dedo e veja as minhas mãos... Você acreditou porque viu? Felizes os que acreditaram sem ter visto”. (João 20,26-29). Assim o Ressurrecto elabora, pela sua força crística, um novo corpo, que promete ser um novo corpo do ser humano, numa época pós-apocalíptica, que virá. “ Vejam minhas mãos e meus pés: sou Eu mesmo. Toquem-me e vejam: um espírito não tem carne e ossos, como vocês podem ver Eu tenho. Eles ofereceram a Jesus um pedaço de peixe grelhado. Jesus pegou o peixe e o comeu diante deles ”. (Lucas 24,39-43).

Estas três qualidades arquetípicas, Maria Madalena, Judas e Lázaro, traduzem as três manifestações da alma humana . A mais instintiva, a alma da sensação , apetitiva ou vegetativa, tem Maria Madalena como representante. O jovem entre os 21 aos 28 anos, como se vê na Biografia, vive intensamente essas qualidades. Apesar de essa parte anímica ser considerada a mais inferior, é ela que coloca o ser humano perante o outro, na troca de vivências e experiências mais simples e carnais, em “comunidade de vida”. Pode-se dizer que nessa parte se vive o puro cristianismo. Madalena com sua “alma pecadora” é redimida pelo próprio Cristo. É o próprio símbolo do “bastão segurando a serpente”. Ou seja é “o espírito que perdoa a própria alma”. E a alma mais inferior assim redimida, poderá se tornar a mais elevada, pela força crística da redenção, na comunidade entre os homens.

A alma intelecto-afetiva ou emotiva, tem como representante Judas . Religioso que era, lutava para libertar o seu povo. Devia ser também uma alma bastante irrequieta, inconstante, sempre insatisfeita. Por isso o seu caráter ora intelectivo ora emotivo. Ele se entrega apenas ao seu pensamento técnico imediatista (com uma pitada de emoção), ao qual quer apenas aproveitar o caráter político da presença do Cristo e não consegue descortinar a profundidade daqueles ensinamentos. Estes querem “libertar” sim, mas não a massa amorfa humana, mas o homem a partir de uma transformação interna. Dos 28 aos 35 anos, o ser humano experimenta a necessidade anímica de conquistar o mundo para si e não depender mais dos pais. Agora este quer ter uma profissão, quer ter o seu dinheiro, a sua casa, o seu carro, etc. Nessa fase a alma experimenta a supremacia da “intelectualidade”, quando tudo se torna racional, mas ainda com uma pitada de “sensação”. Judas não recebeu a redenção crística e depois de cometer o hediondo crime de entregar o Cristo aos religiosos e aos romanos, tenta reparar o seu erro através da porta errada do suicídio.

Isso mostra que a alma não pode ficar apenas no nível intelectual. E o que se vive hoje? Apenas a supremacia intelectual. Por se acreditar somente na matéria, cai-se em contradição grotesca, de se entregar a correntes espiritualistas inconscientes. Por exemplo: vive-se o puro materialismo, mas se “acredita” no transcendente (Kant). Essa postura tem patrocinado disputas comerciais (neoliberalismo), disputas políticas (estatizantes), greves, guerras,... Muitos atos são “racionais”, mas totalmente destituídos de “humanidade”.

A terceira qualidade anímica tem a ver com a parte mais nobre, chamada nos tempos atuais de egóica (no tempo grego se denominava logistikón ou racional ). Pode-se dizer que, uma vez o Ego desenvolvido pelo “individualismo ético”, ele se metamorfoseia em alma da consciência . Lázaro foi o representante do desenvolvimento dessa parte nobre da alma, para poder receber a “força crística”, o espírito. “Somente após o discípulo estar pronto, o mestre aparece”, dizia antigo provérbio. Chegar a esse patamar evolutivo, depende ter percorrido os dois anteriores, de estar pronto para receber a mais alta qualificação espiritual, quando a alma se abre para receber a benção crística. Igual a uma planta, a qual só poderá receber a flor, como uma qualidade superior, após estar madura. Lázaro, após estar pronto, foi iniciado nos mistérios crísticos pelo próprio Cristo. Ele se transformou pelo batismo cristão em João . 

Apesar de se ter conquistado o Ego , vive-se ainda num mundo onde impera apenas o pensar “intelectual”, isto é, quando predomina a alma intelecto-afetiva ( alma júdica ), na qual prepondera o elemento intelectual . Não resta dúvida de que a humanidade desperta para a alma da consciência , mas somente através de um caminho individual de crescimento interior, o ser humano poderá almejar ser “abençoado”, como o exemplo de Lázaro. Por fim pode-se candidatar a receber o Eu crístico . 

(1) Lázaro torna-se, pelo batismo iniciático, na “morte dos três dias” (o mesmo realizado nos centros de mistérios da antigüidade) em João evangelista e do Apocalipse . Esse antigo ritual de iniciação, ao qual Lázaro se submeteu, se remonta a antiga lembrança num passado mais remoto ainda, na entrada da primavera. Nessa ocasião, a estátua do deus Adónis era mergulhada num lago ou mar, por três dias . Durante esse tempo o povo entoava cantos lamuriosos e experimentava o sofrimento do “ deus morto ”. No terceiro dia o deus era soerguido e todos festejavam a ressurreição.

“ Quando o Batista João morreu, Jesus foi com seus discípulos ao lugar onde João costumava batizar as pessoas. Grande multidão os seguiu e Judas ouviu muitos dizerem:

João não realizava milagres, mas tudo o que anunciou sobre Jesus realizou-se.

Muitos vieram a Jesus, dizendo que acreditavam nele e queriam fazer o que ele pregava. Jesus despediu a multidão e seguiu caminho apenas com seus discípulos. Não falava com eles, mas seu silêncio era o Batista João estava querendo falar-lhes. Perceberam que Jesus estava com ele em pensamentos.

Então viram um homem aproximar-se. Prostou-se diante de Jesus e disse:

Senhor, aquele a quem amas está de cama gravemente enfermo. As irmãs, Maria e Marta, pedem-te para vir depressa curar o irmão delas, Lázaro.

Ao ouvir que seu amigo estava doente, Judas assustou-se. Jesus, porém falou:

Essa enfermidade não é mortal, mas é por meio dela que deverá manifestar-se o Filho de Deus.  

“Finalmente irá mostrar o seu poder” – conjeturou Judas contente. Mas ainda permaneceram ali dois dias. Os discípulos pensaram: – “Ele certamente não irá para a região de Jerusalém. Lá estão querendo tirar-lhe a vida”. – Mas depois ele foi. Chegando em Betânia, Lázaro já havia morrido há três dias e fora sepultado. Os judeus lamentavam e choravam com as irmãs (...) Também Maria prostou-se diante Dele e disse:

 – Senhor, se estivesse aqui, meu irmão não teria morrido. Então ele enclinou-se para ela e lhe confiou um segredo: – “João Batista morreu; mas seu espírito imortal vive entre aqueles que querem ser meus discípulos. Teu irmão morreu, ele agora está onde João está. De agora em diante João, através de teu irmão, falará por boca humana e atuará por atos humanos. Trarei teu irmão de volta à vida e dar-lhe-ei o nome daquele que atuará entre meus discípulos, através do teu irmão. Lázaro chamar-se-á João ” . (Irene Johanson, Os Doze Portais . São Paulo : Religião e Cultura, 1991, p.52-54)

(2) Irene Johanson, Os Doze Portais , São Paulo : Religião e Cultura, 1991, p.55-56.

(3) Mathias Grünewald (c.1460-1528), pintor alemão, cuja arte expressionista e de um profundo realismo das “coisas” espirituais tem, no célebre “Retábulo de Isenheim” (8x5 metros), em Colmar, sul da França, um dos pontos máximos da arte ocidental. Uma das cenas, a “crucifixão”: O crucificado está entre João evangelista (conhecido como o discípulo que Ele mais amava), sua mãe e Maria Madalena; e do outro lado está João Batista, que já havia morrido. Este aponta com o dedo em riste, com “muita consciência” da sua presença nesse ato (ou melhor, ele realmente se encontrava “em espírito”). Ainda há algo escrito no quadro: “ Não eu, mas ele em mim! ”

(4) A ceia do Pessah (ceia da Páscoa ) era para celebrar a libertação do povo judeu do Egito por Moisés. Essa ceia era realizada entre a 5ª e 6ª feiras, à noite, quando se comia “o cordeiro pascal” e se fazia a Hagada – era a leitura dos grandes feitos dos judeus. O Cristo instituiu duas outra importantes passagens: o lava-pés , quando o Mestre se colocou na mais simples e humilde das situações, perante os seus discípulos (e estimulou que todos fizessem o mesmo) e o “ pão e o vinho ”, que eram antigos símbolos solares. Nesse mesmo local, há mais de dois mil anos, “ Melquisedek, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, levou pão e vinho, e abençoou Abrãao, dizendo: ‘Bendito seja Abrãao pelo Deus Altíssimo, que criou a céu e a terra '”. (Gênesis 14,18). Agora é o próprio Ser Solar que renova os antigos mistérios solares e institui o seu próprio mistério: “ A seguir, Jesus tomou um pão, agradeceu a Deus, o partiu e distribuiu a eles, dizendo: ‘ Isto é o meu corpo, que é dado por vocês. Façam isto em memória de mim ' . Depois da ceia, Jesus fez o mesmo com o cálice, dizendo: ‘ Este cálice é a nova aliança do meu sangue, que é derramado por vocês '” (Lucas 22,19). Só que o cordeiro pascal foi o próprio Cristo, que se doou na cruz, para salvação do ser humano das garras do maligno. Desde então deve-se “lembrar” dessas gloriosas imagens perante a alma, porque através do “recordar” se estará reprisando a História da evolução do Eu sou , que é o próprio Cristo. Uma pequena partícula de cada ser humano faz parte do Eu sou . Em Lucas e João repete-se a frase: “ Fazei isto em memória de mim !” Isso significa trazer sempre esses profundos conteúdos na consciência, como exercício ou meditação. Assim se estará perto das hierarquias espirituais e dos grandes arquétipos Universais.

 

Antonio Marques