Reconhecimentos Oficiais

Conselho Federal de Medicina (CFM)

Parecer 21/93, de 10.12.1993

Reconhece a Medicina Antroposófica como "prática médica"


Conselho Federal de Farmácia (CFF)

Resolução CFF 465, de 24.7.2007

Reconhece a Farmácia Antroposófica e o farmacêutico antroposófico

 

Conselho Federal de Odontologia (CFO)

Resolução CFO 165, de 24.11.15

Reconhece a Odontologia Antroposófica


Ministério da Saúde (MS)

Portaria MS 1600, de 17.7.06

Aprova a constituição do “Observatório” das Experiências de Medicina Antroposófica no SUS


Conselho Nacional de Saúde (CNS)

Aprovado em 13.12.05

Integra a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC)


ANVISA

Resolução RDC 26, de 30.3.07

Dispõe sobre o registro de medicamentos industrializados antroposóficos


Conselho Federal de Fisioterapia (COFFITO)

Resolução 380, de 29.11.10

Reconhece a especialidade de Fisioterapeuta Antroposófico

 
__A Medicina Antroposófica tem como tarefa fundamental contribuir para a “humanização” da medicina, da odonto e da enfermagem. “Humanizar” significa resgatar a imagem global do ser humano, no seu contexto: corpo, alma e espírito. Este novo modo de pensar tem como alicerce a metodologia científica dedutiva goethiana, a qual serve de referência à “medicina baseada em conhecimento”. É conhecida na Europa, desde 1920, como komplementärmedizin (medicina complementar ou integrativa ou ampliação da arte de curar), atendendo em grandes hospitais públicos, junto com a “medicina acadêmica”. No Brasil atende em consultórios, clínicas e SUS.
 
 
 
A Medicina Antroposófica (MA) é reconhecida como prática médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Parecer 21/93, de 10.12.93:
 
“O médico que pratica a medicina antroposófica sempre é um médico formado por uma faculdade oficialmente reconhecida. É vedada a atividade médica antroposófica no mundo inteiro a qualquer pessoa que não estiver habilitada como médico através das vias oficiais. O médico antroposófico tem compromisso com a vida e com a saúde do paciente, e usa a Antroposofia como um caminho de desenvolvimento que lhe amplie o conhecimento e suas medidas terapêuticas. Ele não pratica uma “alternativa” do tratamento habitual, mas sim, aquela medida que, dentro de seus conhecimentos, é o melhor caminho terapêutico para o paciente, o que em determinados casos, por exemplo, em situações de emergência, poderá ser idêntico ao da medicina convencional. Por estas razões, o paciente que procura um médico antroposófico não se expõe a um risco maior do que aquele que procura um médico convencional.” (Parecer 21/93 do CFM).
 
Desde 1920 existe a Medicina Antroposófica na Europa. Só na Alemanha existem mais de 10 hospitais reconhecidos pelo governo, com cerca de mais de 2.000 leitos, com média de internados: 35.000 pacientes/ano. Tais serviços são pagos pelo sistema previdenciário de saúde e seguro social (Versicherung). Há em torno de 6.000 consultórios médicos, o que significa o atendimento médio de mais de 6.000 pacientes/ano. Este crescente interesse envolve hoje cerca de 18.000 médicos e estudantes de medicina. Isso sem falar em outros países...
 
E desde 1993 a Medicina Antroposófica é reconhecida no Brasil como “prática médica” pelo CFM. Ela não é uma especialidade nem uma medicina alternativa. Isso significa que qualquer profissional médico, de qualquer especialidade, pode ampliar os seus conhecimentos e recursos terapêuticos com a “prática médica antroposófica”. 


O que é Medicina Antroposófica?

 
Muitas pessoas colocam a medicina antroposófica entre as terapias naturalistas ou alternativas, equiparando-a à fitoterapia ou à homeopatia, e chegando mesmo a confundi-la com estas. Pretende-se apresentar, nestas linhas, uma auto-caracterização que representa a opinião da própria medicina antroposófica a esse respeito.
 
1- A medicina antroposófica não é idêntica à medicina naturalista. Todavia fala-se em medicina naturalista, quando ela recorre também a medicamentos produzidos a partir de matérias primas naturais.
 
2- A medicina antroposófica não é fitoterapia, embora seus remédios incluam umas 250 plantas medicinais como matéria prima ou componentes básicos. Contudo os remédios baseados em matérias primas minerais naturais preponderam na medicina antroposófica; são mais importantes.
 
3- A medicina antroposófica tampouco é uma espécie de homeopatia. Aceitou desta apenas a técnica da dinamização e da nomenclatura das potências, embora com modificações relevantes.
 
A medicina antroposófica é simplesmente a ampliação da arte médica com base em critérios da Ciência Espiritual Antroposófica. A Antroposofia é, usando palavras de seu criador Rudolf Steiner (1861-1925), um caminho cognitivo pelo qual deveria ser estabelecida uma ligação entre o que existe de espiritual no homem e no universo.
 
Uma analogia deixará isso mais claro: Para a medicina moderna orientada pelas ciências naturais, a chamada medicina tradicional, o homem é uma máquina ou um laboratório. Enquanto a máquina funciona, o homem é sadio; quando surge um defeito, fazendo com que adoeça, a cura vem necessariamente a ser um conserto. Os remédios usados nesse caso (e que são, via de regra, produtos químicos) se coadunam bem com essa imagem técnica do homem, pois atuam de acordo com o conceito mecanicista que se tem dele: isso resulta também dos experimentos em laboratórios.
 
A Antroposofia vê no homem muito mais do que uma mera máquina. Seu conhecimento a respeito dele e da natureza baseia-se numa realidade diferente: o homem é considerado como um ser corpóreo, anímico e espiritual.
 
Considerado como máquina, o homem das ciências naturais só é constituído pelo corpo físico o que se manifesta apenas sob forma de cadáver. Mas o cadáver perde sua forma e entra em decomposição. Ora, constatamos em nós e em nosso próximo, que a forma humana se conserva com tenacidade inexplicável não obstante interferências devidas às doenças, etc. Existe aparentemente no homem enquanto vive, uma organização dinâmica que atua em sentido contrário à decomposição. Chamamô-la corpo vital (ou corpo etérico): ele é algo supra-sensível e só pode ser observada em suas manifestações exteriores. Seus processos atuam em direção contrária àquela do corpo físico. Enquanto nele obedecem à força da gravitação dirigida para o centro da terra, no corpo vital ascendem em direção à periferia cósmica, conforme se verifica sem qualquer complicação na planta. Esta tem suas raízes na terra e aspira ao céu; ela é um ser dotado de vida e se subtrai, no processo de crescimento, à força da gravidade.
 
O animal, também possuidor de um corpo físico permeado por um corpo vital, se distingue do vegetal pelo desenvolvimento de uma consciência e por sensações, tais como instintos, cobiça, dor e bem-estar. Podemos falar também de uma organização suprassensorial, chamada de corpo anímico ou alma.
 
Também no homem o corpo vital e o corpo físico ficam ao mesmo tempo penetrados pela alma. O homem diferencia-se do animal pela autoconsciência (consciência de sua consciência) cuja forma mais evoluída culmina em seu EU. Essa força pessoal e eminentemente individualizada do EU permite ao homem manter-se na posição ereta, falar, ter criatividade artística e cultural, entusiasmar-se por algo, mas leva-o também a impulsos culturais destrutivos. Tudo isso falta ao animal; este não tem a menor disposição para a criatividade cultural.
 
O homem se nos apresenta, pois, como um ser constituído por quatro membros: corpo físico, corpo vital, alma e EU. Enfocada desta maneira, a “medida do homem” adquire uma dimensão não imaginável, muito mais ampla que o conceito “homem máquina” da ciência natural. A verdadeira “medida do homem” é um parâmetro universal da criação. O homem, conforme dizia Paracelsus, “é uma condensação da natureza enquanto que a natureza é um homem desdobrado numa infinidade de seres”.
 
Havia, nos primórdios, uma unidade, mas o caminho evolutivo comum da Terra, da natureza e do homem, levou paulatinamente a separações. Os reinos mineral, vegetal e animal desprenderam-se da união com o ser humano, causando uma polaridade entre eles e o homem. Considerados por esse prisma, todos os objetos da natureza têm, na sua origem relações com o ser humano. Para todo aspecto da organização humana, incrivelmente complexa, existe na natureza uma “contra-imagem”.
 
Com isso fica respondida, em princípio, a pergunta: “Como pode uma matéria-prima natural ter efeitos terapêuticos?” Qualquer objeto da natureza tem, desde a sua origem, um lado afim com o homem, algo como um parentesco terapêutico. Substâncias como a fenacetina, o ácido acetilsalicílico, os sulfonamidas, etc, não possuem tal afinidade terapêutica com o homem. Esta é uma das causas dos múltiplos efeitos colaterais não desejados de tais produtos. Os “remédios feitos à medida do homem”, produzidos com base em conhecimentos antroposóficos, não provocam tais conseqüências nocivas, desde que aplicados criteriosamente.
 
Na produção de tais “remédios afins com o homem”, todos os procedimentos farmacêuticos sempre visam à continuação de processos da natureza e à relação racional, já mencionada, com o homem. A farmacêutica antroposófica recorre, por exemplo, a toda a escala de aplicações térmicas (macerações, digestio - trata-se de preparados a 37o C; - infusões, decocções, torrefações, destilações, carbonizações, incinerações), tendo em vista aquela área do ser humano onde os remédios devem manifestar o seu efeito terapêutico.
 
Dr. Willen Daems
 
Laboratório Weleda AG / Arlesheim - Suíça