Esse misterioso cérebro

Como funciona fisiologicamente o cérebro humano? Ele ‘cria imagens’ e através destas podemos ver nosso pensamento, em termos de recordação e imaginação. Como se pode entender esse processo de criar imagens pensamentais? Vamos analisar o olho, uma parte do cérebro que se projetou para fora e que praticamente lida com imagens vindas do exterior. Na formação embrionária do olho, a parte anterior do cérebro forma o nervo óptico, que caminha para frente. Após o quiasma óptico, ele se dilata anteriormente para formar o fundo arredondado do olho, que será depois a retina, com seus cones e bastonetes. Do lado exterior, da epiderme do embrião, de fora para dentro, num processo de escavação, vem ao encontro da retina o broto do futuro cristalino. Entre estes dois processos polares, existe sangue dentro do olho embrionário; este sangue precisará se retrair, para permitir que o globo ocular fique limpo e transparente, para deixar passar a luz exterior. Portanto, dessa maneira o olho se transforma quase numa máquina fotográfica.

Continue Lendo

Existe nervo motor?

Este tema, por demais polêmico, toca fundo no ponto "nevrálgico" da Ciência atual. Esta se fixa apenas no que o sensório constata pela "experimentação e repetição" (empirismo indutivo). Parte-se do puntiforme, de poucos elementos e se deseja com isso conhecer o macrocosmo, o organismo, "o todo" (é a "ação amplificadora" de Bacon). Não resta dúvida de que se deve agradecer pelos progressos alcançados por esse método empírico da ciência atual que, no fundo, tem realizado verdadeiras proezas "tecnológicas".

No entanto, o grande erro está em transplantar o que é "tecnológico" para o "organismo vivo", como hipóteses tecnicistas que tentam explicar como o homem pensa, sente e atua no corpo. Mas como Pascal disse: "a maioria dos nossos erros decorre de raciocínios bem estruturados baseados em fatos mal observados". Nesse sentido, é preciso que se realize uma grande síntese dos progressos científicos indutivos e dedutivos, para se entender como o ser humano mexe o seu corpo.

Continue Lendo

Ciência

      A ciência atual se divorciou da scientia (saber) e tornou-se potentia (ou seja, interessa-se apenas pela aplicação prática dos conhecimentos e o domínio da natureza). Nesse sentido ela abraçou o "dualismo platônico" (baconiano, kantiano), o qual rasgou a "realidade" em duas esferas: o mundo sensorial e mundo imaterial (ou ideal). Newton, Galileu, Descartes, Bacon, etc. explicaram os fenômenos naturais apenas como manifestações mecânicas. E hoje apenas se interessa pela "produção material" (até a psicologia não aceita mais a psiquê, pois a vida orgânica se restringiu à manifestação química). Seria como se admirássemos as disposições das pedras de uma catedral e não nos interessássemos pela "idéia" do arquiteto e nem pelo estilo da época...

        Por isso se julga que pela "experiência" do mundo se é incapaz de chegar à verdade objetiva, pois esta apenas forneceria uma visão aproximada do fenômeno (por isso os testes de probabilidade e de matemática). Não resta a dúvida que se deve agradecer pelas conquistas tecnologias em todos os ramos do conhecimento humano. Mas isso só mostra a visão "indutiva" sobre a natureza, quando se aborda o reino inorgânico (a Física, a Química). O elemento complicador é quando se tenta abordar o "organismo vivo" com os mesmos argumentos que se usam para o "mundo inorgânico". Ocorrem verdadeiras aberrações de julgamentos e distorções de conceitos. Daí os erros cruciais em ciência. Por isso a sentença de Pascal: "A maioria dos nossos erros decorre de raciocínios bem estruturados baseados em fatos mal observados". Esses conceitos são repassados como "dogmas" para a sociedade, para as escolas e profissões em geral. Eles não são contestados, por causa do medo de não se encontrar um modelo ideal que caiba no intelecto.

Continue Lendo

Uma nova medicina

Muitas pessoas colocam a medicina antroposófica entre as terapias naturalistas ou alternativas, equiparando-a à fitoterapia ou à homeopatia, e chegando mesmo a confundi-la com estas. Pretende-se apresentar, nestas linhas, uma auto-caracterização que representa a opinião da própria medicina antroposófica a esse respeito. 

1- A medicina antroposófica não é idêntica à medicina naturalista. Todavia fala-se em medicina naturalista, quando ela recorre também a medicamentos produzidos a partir de matérias primas naturais.

2- A medicina antroposófica não é fitoterapia, embora seus remédios incluam umas 250 plantas medicinais como matéria prima ou componentes básicos. Contudo os remédios baseados em matérias primas minerais naturais preponderam na medicina antroposófica; são mais importantes.

3- A medicina antroposófica tampouco é uma espécie de homeopatia. Aceitou desta apenas a técnica da dinamização e da nomenclatura das potências, embora com modificações relevantes.

A medicina antroposófica é simplesmente a ampliação da arte médica com base em critérios da Ciência Espiritual Antroposófica. A Antroposofia é, usando palavras de seu criador Rudolf Steiner (1861-1925), um caminho cognitivo pelo qual deveria ser estabelecida uma ligação entre o que existe de espiritual no homem e no universo.

Continue Lendo

Metodologia em Medicina Antroposófica

Algumas pessoas desinformadas comentam que a Medicina Antroposófica (M.A) carece de um critério científico, que ela é empírica, que não é reconhecida, etc. Quem assim pensa, mostra total ignorância nesses assuntos. Para esclarecer esses temas, vamos abordar neste artigo, em primeiro lugar, como se processa o conhecimento científico, para situarmos onde se encontra a M.A no contexto científico mundial. Em segundo lugar, é preciso esclarecer que um conhecimento empírico é aquele que se baseia somente na experimentação e isso é apanágio da medicina acadêmica-alopática, da ciência tecnológica atual, como se verá. A M.A parte de um conhecimento teórico bem fundamentado cientificamente e só no final se baseia na experimentação. Isso tem a ver com a sua metodologia dedutiva goethiana-steineriana, como se comentará a seguir. Em terceiro lugar, ela é reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como "prática médica", através do Decreto 21/93, de 10.12.93. Isso significa que não é uma especialidade nem uma medicina alternativa. Qualquer médico pode ampliar os seus conhecimentos e recursos terapêuticos com a M.A.

Continue Lendo

Saúde e doença

PLATÃO = Deus falando às Hierarquias: "Deuses, filhos dos deuses de quem sou o Autor e das obras de que sou Pai, nascestes por mim, e sois indissolúveis, tanto que eu não desejaria dissolver-vos. Pois, se todo composto é corruptível, querer romper a unidade do que é harmonicamente unido e belo é perversão. Portanto, e porque nascestes, não sois imortais, nem de todo incorruptíveis. Nunca sereis dissolvidos nem sofrereis fado mortal, pois meu querer é para vós liame mais forte e possante do que aqueles com que fostes ligados ao nascer. Agora, escutai o que minhas palavras ensinar-vos-ão. Restam três espécies mortais que ainda não nasceram. Se não o fizerem, o Céu permanecerá inacabado, pois não incluirá absolutamente todas as espécies de viventes. E é necessário que as inclua, se deve ser absolutamente perfeito. Mas, se eu mesmo as gerasse, se participassem da Vida por mim, seriam iguais aos deuses. A fim de que, de uma parte, esses seres sejam mortais, e que de outra parte o Todo seja verdadeiramente o Todo, aplicai-vos, conforme vossa natureza, a fabricar seres vivos. Imitai a ação de meu poder, quando de vosso nascimento e, quanto à parte desses seres que deve levar o mesmo nome que os imortais, a parte chamada divina e que dentre eles prevalece, naqueles que desejarão sempre seguir-vos, e à justiça, eu mesmo prepararei e vos darei a semente e o princípio. No mais, adicionando a esta parte imortal uma parte mortal, fabricai viventes, fazei-os nascer, dai-lhes o sustento, fazei-os crescer e, quando perecerem, recebei-os de novo junto a vós".(Timeu 41).

PLATÃO, Timeu, São Paulo : Hemus, [s.d.], p.100

 

Continue Lendo

Corpo, alma e espírito

Ainda persiste muita confusão entre "alma e espírito" nas mentes das pessoas. Além disso, essa pergunta parece não Ter mais cabimento nos dias atuais. Afinal esse aspecto não é nem mais cogitado nas discussões filosóficas e científicas. Não se precisa desses "acessórios" para viver, trabalhar, amar, etc. Afinal o Concílio de Constantinopla de 869 "decretou" que, a partir daquela data, o "espírito" não existia mais, apenas "alma e corpo". E, recentemente a Ciência (através da Associação Psicanalítica Americana) "decretou" que a psiquê (a alma) não existe, apenas "corpo físico". Assim a trindade (caráter ternário ou trimembrado: corpo, alma e espírito) foi "reduzida" à manifestação puramente físico-química. No entanto objetiva-se, neste artigo, resgatar a "imagem global" do ser humano.

Continue Lendo

Ansiedade, depressão, pânico, Hipertensão arterial e TOC

O que se sabe hoje sobre as doenças psicossomáticas (psico = alma e soma = corpo)? O que a ciência fala sobre elas? Em primeiro lugar não se vê o homem como ser humano. Ele virou uma máquina computadorizada, com circuitos químicos de sódio, potássio, serotonina, adrenalina, etc., embutido no poderoso e misterioso cérebro. Não se vê mais a atuação da psiquê (alma) no corpo. Aliás, nem psiquê existe hoje em dia. Tudo é matéria. E, em segundo lugar, como fica o tratamento? Apenas reflete esse modo mecanicista de ver o ser humano: um conserto que se impõe a uma máquina. Nesse sentido os efeitos colaterais fazem parte dos melhores medicamentos. Assim foi descoberto, em 1864, por von Baeyer, o barbitúrico (associação do ácido malônico com uréia). É um tranqüilizante ou ansiolítico, capaz de aliviar os estados de ansiedade e tensões. Depois vieram os outros anti-depressivos, com atuações variadas, no sentido de controlar os sintomas da depressão. Ou seja, todos são entorpecentes ou anestésicos. A fluoxetina, por exemplo, como diz a “bula”, evita a recaptação da serotonina e com isso leva à permanência dessa substância mais tempo em atividade nos tecidos corporais. Mas a sua fórmula química mostra outra realidade: em uma extremidade contém Nitrogênio (N), que excita o cérebro e na outra extremidade, que é mais poderosa, inibe o nervo, pois possui 2 moléculas de benzeno e 3 de Flúor (F). Portanto o lado inibidor é mais potente. Portanto a sua ação bioquímica mostra o contrário do que se afirma. Por isso estudos recentes realizados na Suécia demonstram que o uso excessivo da fluoxetina pode levar à falta da serotonina a nível cerebral / corporal. Ou seja, "o buraco pode ficar mais fundo do que se entrou". Por isso não se pode contentar com atitudes paliativas sintomáticas. Deve-se buscar sempre o "tratamento fenomenológico", para a cura real (e não semi-cura).

Continue Lendo

Síndrome Tripolar

Este trabalho visa apresentar a “Síndrome Tripolar”, para justificar os quadros clínicos psicossomáticos em que apresentam simultaneamente “ansiedade, depressão e pânico”. Serão levantados os argumentos científicos, filosóficos e antroposóficos, no sentido de se compreender os elementos causais psico-fisio-patológicos. Em posse destes conhecimentos, com condutas médico-terapêuticas antroposóficas condizentes, é possível obter a cura para estes quadros clínicos.

 

1. APRESENTAÇÃO

Infelizmente hoje em dia não se vê mais o homem como ser humano. Ele virou uma máquina computadorizada, com circuitos integrados numa “rede de linhas excitatórias e inibitórias de projeção (feedforward) e de retroação (feedback)” (Popper), embutidos no poderoso e misterioso cérebro. Não se vê mais a atuação da psiquê (alma) no corpo. Aliás, nem psiquê existe mais. Tudo é matéria. Como fica o tratamento? Apenas reflete o modo mecanicista de ver o ser humano: um conserto que se impõe a uma máquina. Nesse sentido os efeitos colaterais fazem parte dos melhores medicamentos. Assim foi descoberto, em 1864, por von Bayer, o Barbitúrico (associação de ácido malônico com uréia). É um tranqüilizante ou ansiolítico, capaz de aliviar os estados de ansiedade e tensões. Depois vieram os outros anti-depressivos1, com atuações variadas, no sentido de controlar os sintomas da depressão.

Continue Lendo

Temperamentos

Rudolf Steiner diz que a essência arquetípica que perpassa as encarnações 

provoca uma determinada ação nos 4 membros da natureza humana. 

A partir da interação desses 4 membros é que surge o

matiz do homem que se chama de temperamento.

 

Eu = colérico 

astral = sanguíneo 

etérico = fleumático 

corpo físico = melancólico

 

Segundo Steiner não se pode considerar a saúde como processo natural e a doença como processo anormal. Ambos são processos naturais. Os processos que ocorrem no corpo físico nunca são autônomos e nem todos têm o mesmo significado. Alguns podem ocorrer devido à ação do corpo etérico, outros devido à ação da alma e outros devido à ação do Eu. Manifestam-se no corpo físico, com graus mais ou menos especializados e diferenciados, de acordo com sua origem.

Por isso é preciso temperar a vida, usar o "tempero" (Galeno) certo na orquestração da vida. Chama-se Temperamento. Nesse caso a saúde é o resultado do equilíbrio de poderes (dynamis): úmido e seco, frio e quente, amargo e doce.

 

Continue Lendo

  • 1
  • 2