Tratamento da Hipoplasia e Aplasia da Medula Óssea

RESUMO: Este trabalho visa mostrar os excelentes resultados conseguidos com a medicação antroposófica injetável “Medulla Ossium”, do Laboratório Wala (Alemanha), no tratamento da hipoplasia e da aplasia de medula óssea.


UNITERMOS: Patologias da medula óssea, aplasia da medula óssea, hipoplasia da medula óssea, púrpura trombocitopênica, medicamento antroposófico, medicina antroposófica.


1. INTRODUÇÃO


A partir dos excelentes resultados obtidos no tratamento da Hipoplasia e da Aplasia de Medula Óssea, com o uso da medicação antroposófica injetável, Medulla ossium, do Laboratório Wala (Alemanha)1, o autor mostra como se pode instituir este tratamento a nível ambulatorial. Por se tratar de uma patologia hematológica, uma vez descoberta a alteração sanguínea no exame sanguíneo de rotina, o paciente é encaminhado ao especialista (hematologista), para determinar o diagnóstico de certeza. O mielograma (biópsia da medula óssea) é o último recurso diagnóstico, no sentido de visualizar o grau de celularidade (caracteriza a aplasia de medula, celularidade abaixo de 25%). Em posse dos dados laboratoriais comprobatórios, parte-se para o tratamento abaixo preconizado. Para controle não se utiliza mais o mielograma; somente o exame de sangue de rotina.

Na maioria dos casos enfrentados pelo autor, as manifestações clínicas dizem respeito às duas alterações: Anemia Aplásica e Plaquetopenia. Como em alguns casos essas duas patologias se misturam, a mesma prescrição básica antroposófica atinge plenamente ambos os fenômenos (estimular a medula a fabricar células). Na maioria dos casos, a adesão e a aceitabilidade ao tratamento são grandes, dada a argumentação levantada: “estímulo à medula com medicação natural”. Afinal serão anos de tratamento, com controles periódicos. Como se verá nos casos clínicos relatados, há resolubilidade para muitos pacientes. Por se tratar de dois assuntos distintos: hemácias e plaquetas, os dois capítulos seguintes farão referências e distinções entre ambos, comentando as origens e as fisiopatologias dessas células.


2. MEDULA ÓSSEA


“A medula óssea é um órgão difuso, porém volumoso e muito ativo. No adulto normal, produz por dia, cerca de 2,5 bilhões de eritrócitos, 2,5 bilhões de plaqueta e 1,0 bilhão de granulócitos por Kg de peso corporal. (...) A medula óssea é encontrada no canal medular dos ossos longos e nas cavidades dos ossos esponjosos. Distinguem-se a medula óssea vermelha, hematogênica, que deve sua cor à presença de numerosos eritrócitos em diversos estágios de maturação e a medula óssea amarela, rica em células adiposas; e que não produz células sangüíneas. No recém-nascido, toda a medula óssea é vermelha e, portanto, ativa na produção de células do sangue. Com o avançar da idade, porém a maior parte da medula óssea transforma-se na variedade amarela, existindo a medula vermelha no adulto apenas no esterno, vértebras, costelas, díploe dos ossos do crânio e, no adulto jovem, nas epífises proximais do fêmur e do úmero. Em certos casos, como nas hemorragias, a medula amarela pode transformar-se em medula óssea vermelha e voltar a produzir células do sangue”.2

“A medula óssea vermelha é constituída por células reticulares, associadas a fibras reticulares (colágeno tipo III). Essas células e fibras formam uma esponja, percorrida por numerosos capilares sinusóides. Entre as células reticulares existe um número variável de macrófagos, células adiposas e muitas células hemopoéticas. (...) Além de produzir as células do sangue, a medula óssea armazena ferro sob a forma de ferritina e de hemossiderina, principalmente no citoplasma dos macrófagos. A ferritina é constituída pelo ferro ligado a uma proteína de peso molecular 480.000, denominada apoferritina. Outra função da medula óssea vermelha é a destruição de eritrócitos envelhecidos.”3

“De acordo com o seu grau de maturação, as células eritrocíticas são chamadas de: proeritroblastos, eritroblastos basófilos, eritroblastos policromáticos, eritroblastos ortocromáticos (ou acidófilos), reticulócitos e hemácias”.4

“As plaquetas se originam da medula óssea vermelha pela fragmentação de pedaços de citoplasma dos megacariócitos. Estes, por sua vez, formam-se pela diferenciação dos megacarioblastos.5


3. FISIOPATOLOGIA


“A anemia é causada pela deficiência de hemoglobina, que pode ser causada por deficiência de eritrócitos ou por quantidade insuficiente de hemoglobina nas células. Existem inúmeras causas de anemia: Anemia por perda de sangue, anemia aplásica (aplasia da medula óssea), Anemia Megaloblástica, Anemia Perniciosa, Anemia hemolítica, etc.”.6

“A anemia aplásica é uma doença que afeta indivíduos jovens, com idade mediana de cerca de 25 anos por ocasião de sua instalação (excluindo a aplasia secundária à quimioterapia ao câncer). (...) Em geral, a medula óssea pode ser facilmente aspirada, porém se mostra diluída no esfregaço. A amostra de biópsia que, muitas vezes é pálida a olho nu, revela principalmente gordura ao exame microscópico; por definição, as células hematopoéticas menos de 25% do espaço medular e, nos casos mais graves, 0 a 5%.”7

“As plaquetas (também denominadas trombócitos) são pequenos discos redondos, ou ovais, com 1 a 4 micrômetros de diâmetro. São formadas na medula óssea, a partir dos megacariócitos, que consistem em células extremamente grandes da série hematopoética na medula óssea. Os megacariócitos fragmentam-se em diminutas plaquetas na medula óssea, ou logo após penetrarem no sangue, particularmente quando são espremidos através dos capilares pulmonares”.8

“Quando as plaquetas entram em contato com a superfície vascular lesada, como as fibras de colágeno na parede vascular, elas, imediatamente, modificam de maneira dramática suas características. Começam a aumentar de volume, adquirem formas irregulares, com numerosos pseudópodos, que se irradiam a partir de sua superfície; suas proteínas contráteis contraem-se fortemente e provocam a liberação de grânulos, contendo múltiplos fatores ativos; tornam-se viscosas e aderem ao colágeno nos tecidos e à proteína denominada fator e von Willebrand, que se dissemina por todo o plasma; secretam grandes quantidades de ADP, e suas enzimas sintetizam tromboxano A2. Por sua vez, esses dois atuam sobre as plaquetas vizinhas, ativando-as também, e a viscosidade dessas plaquetas adicionais propicia sua aderência às plaquetas originalmente ativadas”.9

“A princípio, é um tampão frouxo, porém geralmente satisfatório para bloquear a perda de sangue. A seguir, formam-se filamentos de fibrina. Esses filamentos aderem firmemente às plaquetas, criando, assim, um tampão resistente”.10


4. MEDICAÇÃO INJETÁVEL BÁSICA


Uso Ext: 

- Medulla ossium – Lab. Wala (Alemanha) - estimulante específico da medula óssea.

- Viscum album - Lab. Helixor (Alemanha) - coadjuvante como estimulante imunológico.

6. TERAPIAS EXTERNAS


As terapias externas revitalizantes visam promover um “calor periférico”, cuja finalidade é estimular a produção celular da medula. Geralmente são usadas duas condutas, relacionadas abaixo, quinzenalmente ou mensalmente, revezando entre ambas.


1. Banho de óleo, em banheira ofurô (plástico com dupla parede e fibra de vidro), com caldeira e cremalheira acopladas - A qual mantém a temperatura moderada e permanente em torno de 36 a 37º C. Com o aparelho dispersor de óleo (Dispersion Bad Apparat), o óleo (Rosmarinus, Arnica, etc) é finamente disperso na água da banheira. São duas etapas: 1ª) O paciente permanece por 30` imerso na banheira, com a cabeça do lado de fora, no sentido de acolher o “calor e o óleo” que vem da água, que vem de fora. 2ª) Depois é colocado numa maca, embrulhado com plástico e cobertor, por mais 30´, no sentido de despertar o outro “calor”; agora de “dentro para fora”.

2. Compressas e Enfaixamentos - Tem a mesma finalidade do banho de óleo, só que o paciente é embrulhado em panos quentes, os quais são previamente embebidos em óleo (Rosmarinus, Arnica, etc). No caso do enfaixamento, o corpo todo é envolvido num lençol, o qual foi colocado previamente numa panela, em banho-maria por 2 horas, para aquecimento pelo vapor. Em seguida o paciente é envolvido nesse “manto de calor” por 1 hora.


7. CASOS CLÍNICOS


Serão apresentados quatro casos clínicos de patologias medulares, no sentido de mostrar como o injetável em questão exerce um forte efeito estimulante sobre a medula óssea, cujos resultados comprobatórios podem ser vistos abaixo.

1º caso – P.B.S.P., sexo feminino, estudante, nascida em 19.3.71. A 1ª consulta em 27.6.93, aos 22 anos: Anemia Aplásica. Primeira manifestação: desmaios aos 17 anos. Biópsia medula óssea em 12.10.88: Hipoplasia medular, com menos de 25% de celularidade. Tomou inúmeras transfusões de sangue, com hemácias lavadas.

Naquela época tínhamos mais recursos medicamentosos, como a Medulla ossium, nas formas líquida e triturada (em pó). Os injetáveis: Medulla ossium da Wala. Uso 3x/semana, escala repetida durante 3 anos.

 

Htm

Hgb

Htc

Plaquetas

28.04.93

1.300.000

3.5

12

20.000

11.10.93

1.000.000

2.9

9

12.000

13.04.95

1.001.000

2.9

10

16.000

08.09.95

2.400.000

9.6

32

60.000

24.05.96

3.900.000

10.9

35

274.000

Alta clínica em 24.5.96, após 3 anos de tratamento, com o resultado acima. Cura definitiva. Em recente consulta, em 1.8.08, para tratar de ansiedade e pânico. Exame com valores normais. Casada com médico, mãe de uma filha e residente em Belém, Pará.

2º caso – H.E.P.R., sexo masculino, estudante, nascido em 10.11.89, residente nesta cidade. 1ª consulta em 14.4.00, com 11 anos, por motivo de hipoglicemia. Magro e de baixa estatura; aparentava-se pálido, aéreo, olhar vago. Há 2 anos relata queda na escola por sonolência. Ex. 31.5.89: Glicose 80 (jejum) e 71 (pós-desjejum). Tripsina fecal: 1:16 (método titulação, Normal = acima 1:32). Fez tratamento clínico antroposófico para o metabolismo, com bons resultados; e para crescer (com sais minerais), sem lograr êxito. As taxas do Hormônio do Crescimento (HGH) não saiam do zero, mesmo após exercício físico (nas duas dosagens sanguíneas). Somente cresceu em 2006, aos 17 anos, sem tratamento específico. A surpresa aconteceu no exame de rotina. 

Em 25.2.08, fez exame de rotina e apresentou Plaquetas 78.000. Foi encaminhado ao hematologista, recebendo o diagnóstico de Púrpura Trombocitopênica auto-imune. A mãe optou pelo tratamento antroposófico, com a anuência do especialista.

Plaquetas

25.2.08

78.000

03.8.08

34.000

19.1.09

140.000

Tratamento com Medulla ossium + Viscum, duas vezes por semana, sub-cutânea, por um período de 11 meses (quase um ano). Na última consulta, de 29.1.09, após parecer favorável do Hematologista, o qual afirmou que devia continuar com a conduta médica antroposófica, recebeu alta Clínica. Continua com controle anual. Personalidade mais firme, estudante da Faculdade de Fisioterapia. 

3º caso – J.J.C. M., sexo masculino, servidor público, músico e poeta, casado, nascido em 6.6.67, residente nesta cidade. 1ª consulta em 28.7.03, por estresse, há 4 anos. Mal humorado, depressão, ansiedade, tenso, não sorri, insônia, cansaço crônico, impaciente com os filhos. Tomando Tegretol, Rohypnol, por 10 anos. Com o tratamento antroposófico para o estado geral, citado acima, mantém-se saudável e sem a medicação entorpecente. 

Na consulta de rotina de 2004, mostrou em Ex. 1.7.04, Plaquetas 133.000. Apesar do valor não estar muito alterado, começou o tratamento com Medulla ossium D5 – D10 – D15 + Viscum D3, 1x/semana, subcutânea. Em 4 anos de tratamento, mostra-se psiquicamente bem melhor, além do resultado laboratorial ser alentador. Atualmente suspensa a Medulla ossium, por causa do excelente resultado. Mantém controle semestral.

Plaquetas

01.7.04

133.000

29.7.04

142.000

9.12.04

141.000

01.9.06

127.000

29.8.07

143.000

30.5.08

154.000

4º caso – J.C.B.P., sexo masculino, casado, nascido em 14.9.40, funcionário público, residente nesta cidade. 1ª consulta em 10.3.97, com hipertrofia prostática, US 18.3.97, Próstata 44,9 g. Não seguiu tratamento, tendo que se submeter em 2001 à Prostatectomia. Em recente consulta, de 30.10.08, gastrite atrófica, Hp +, atrofia renal, anemia e Hipoplasia de Medula. Endoscopia 20.2.08: Atrofia gástrica, gastrite erosiva e Hp+. Como é um caso recente, não se têm parâmetros para julgar: Ex. 16.10.08 Htm = 3.470 Hg = 10.4 Anisocitose e Poiquilocitose.


COMENTÁRIOS E CONCLUSÃO


Este trabalho foi confeccionado por causa dos excelentes resultados obtidos com a medicação antroposófica injetável “Medulla Ossium”, do Laboratório Wala (Alemanha), para os casos de patologias hipofuncionantes da medula óssea. Visa-se apresentar à classe médica um medicamento antroposófico que oferece grande chance de controle e até resolubilidade nestes quadros clínicos de difícil resposta terapêutica, pois demanda anos de dedicação e de confiança no tratamento.


SUMMARY


This work was made because of the excellent results obtained with the injectable anthroposophical medication "MEDULA OSSIUM," Wala Laboratory (Germany), for cases of low function of bone marrow. The aim is to provide physicians an anthroposophic medication that offers great chance to control and sometimes resolving these clinical cases of difficult therapeutic response, as it demands years of dedication and confidence in treatment.

Key Words: Bone marrow disorders, bone marrow aplasia, hypoplasia of bone marrow, thrombocytopenic purpura, anthroposophic medicine, anthroposophic medicine.


NOTAS


1. Para uso dessa medicação importada do Laboratório Wala (Alemanha), o paciente recebe a receita do médico, com a indicação para recorrer à Importadora Euromedical, em São Paulo, a qual faz a entrega do produto na casa do paciente.  

2. JUNQUEIRA, L.C, CARNEIRO, J. Histologia Básica, 10a ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. 2004. p.240-1.  

3. Idem, 2004. p.241.  

4. Idem, 2004. p.242.  

5. Idem, 2004. p.250.  

6. Guyton, A. C. & J. E. Hall. Tratado d Fisiologia Médica. 10ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. 2002. p.367.  

7. Cecil. Tratado de Medicina Interna. 21ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. 2001. p.942. 

8. Guyton, 2002. p.395.  

9. Idem, ibidem.  

10. Idem, ibidem.


BIBLIOGRAFIA


JUNQUEIRA, L.C, & CARNEIRO, J. Histologia Básica, 10a ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. 2004. 

Cecil. Tratado de Medicina Interna. 21ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. 2001. 

Guyton, A. C. & J. E. Hall. Tratado d Fisiologia Médica. 10ª ed. Rio de Janeiro : Guanabara Koogan. 2002. 

HUSEMANN, F. & WOLFF, O. A Imagem do Homem como base da Arte Médica – Patologia e Terapia. Vol.III. São Paulo : ABT, 1987.

 

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Antonio José Marques (*) / Hélio Takashi Sakimoto (**)

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(*) Clínico geral, diretor clínico da Clínica Médica Vivenda Sant´Anna – Juiz de Fora (MG) 

(**) Acadêmico de medicina da Faculdade de Medicina Suprema – Juiz de Fora (MG)