Teste de capacidade pulmonar

TESTE DE CAPACIDADE PULMONAR
(TCP)

Antonio José Marques (*)
Carla Valéria Antunes (**)

 

RESUMO: Este trabalho visa apresentar o “Teste de Capacidade Pulmonar” (TCP), desenvolvido pelo autor, com assessoria da pneumologista desta Clínica, o qual serve para quantificar a capacidade de inspiração pulmonar em quadros clínicos suspeitos de déficit ventilatório, em casos de patologia pulmonar declarada e para acompanhar a evolução destes quadros nosológicos. Por ser de fácil manipulação (uma fita métrica), serve como instrumento de exame complementar simplista ao clínico geral, ao pneumologista, ao fisioterapeuta, ao fonoaudiólogo, ao professor de educação física, etc.

UNITERMOS: Teste de Capacitação Pulmonar, Avaliação da capacidade pulmonar inspiratória, teste de controle de fibrose pulmonar e de outras patologias pulmonares, medicina antroposófica.

1 INTRODUÇÃO

Este trabalho visa apresentar o “Teste de Capacidade Pulmonar” (TCP), desenvolvido pelo autor, com a assessoria da pneumologista desta Clínica, com resultados comprobatórios, como se verá abaixo. Serve para quantificar a capacidade de inspiração pulmonar em quadros clínicos suspeitos de déficit respiratório, em casos de patologia pulmonar declarada e para acompanhar a evolução destes quadros nosológicos. Por ser de fácil manipulação, serve como um instrumento de exame complementar ao clínico geral, ao fisioterapeuta, ao fonoaudiólogo, ao professor de educação física, etc. Não se tem notícia de um teste dessa envergadura, com os critérios metodológicos aqui apontados, justamente pela simplicidade em executá-lo: “apenas uma fita métrica”.

 

2 MÉTODO

Este método consiste em medir a caixa torácica do paciente com uma fita métrica, na expiração e inspiração profundas. Geralmente é realizado ao final do exame clínico. Solicita-se que o paciente fique sentado, com as pernas voltadas para a escadinha, de costas para o examinador, sem camisa ou roupa de cima (pode-se ficar com o sutiã, desde que não muito apertado). Passasse a fita métrica de material plástico maleável, acima dos mamilos, sendo que a leitura é feita por detrás. Deixa-se deslizar pelas mãos do examinador a fita métrica, entre a inspiração e expiração profundas, no sentido de contar numericamente quantos centímetros ocorrem.

3 VALORES DA MEDIÇÃO

Os valores considerados normais, após muitos anos de análises comparativas, devem estar entre 3 a 4 centímetros de expansão. Limite inferior = 2 cm. Abaixo de 2 cm começa a demonstrar distúrbio de dispnéia. Valor abaixo de 1 cm é preocupante por grande dispnéia. Valor máximo encontrado pelo autor foi de 6 cm, em desportistas de remo de competição.

Valores =
Abaixo de 1
2
3 a 4
5 a 6
Resultado =
Dispnéia
Limite inferior
Nomal
Excelente



4 MÉTODOS COMPARATIVOS

Comparado com outros métodos, os quais são utilizados recursos técnicos mais sofisticados, o TCP mostrou-se eficaz, superior e com positividade acima do esperado. Estes são os dois métodos mais conhecidos, com seus respectivos conceitos:

1. Peak-flow = serve para medir o fluxo expiratório forçado. Funciona como um medidor de calibre das grandes vias aéreas. Também é influenciado pelo fluxo transitório acusado pela expulsão de ar das vias aéreas centrais comprimidas. Está anormalmente diminuído apenas nas obstruções moderadas e severas.

2. Espirometria (Prova de Função Pulmonar), cujos valores variam entre CVF (Fluxo versus Volume) e CVF (Volume versus Tempo). Em casos de suspeita de hiperreatividade brônquica, sugere-se a realização do teste de broncoprovocação com metacolina ou outro produto. Demonstra o volume de ar inalado e exalado em determinado período de tempo, através de uma série de manobras ventilatórias. A curva obtida permite determinar se o padrão de reserva ventilatória ou padrão anormal caracterizando por uma obstrução, restrição ou anormalidades ventilatórias mistas. Esses padrões não são específicos; contudo, na maioria das doenças causam um tipo previsível de defeito ventilatório.

 

5 CASOS CLÍNICOS COMPROBATÓRIOS

Serão apresentados 5 casos clínicos, em que foram usados o “Teste de Capacidade Pulmonar” (TCP), sendo que em alguns foram realizados testes duplos, com os recursos habituais, com objetivo comparativo. Como se verá o TCP mostrou-se eficaz e não sofre influências atribuídas aos recursos “técnicos”.

1. C.L.G.L. – sexo masculino, nascido em 5.8.43, casado, motorista, residente em Lima Duarte (MG), primeira consulta em 2.10.08, com diagnóstico de Enfisema, desde 2006. Ex-fumante, suspendeu o cigarro há 7 anos. Diagnóstico confirmado pela TC de 18.12.07 (pneumopatia intersticial com fibrose de permeio). PA 160x80, ausculta: estertores, TCP = 1,5 cm. Comparativamente com a Espirometria (Prova Ventilatória Completa com Broncodilatador), realizado no Serviço de Pneumologia do Hospital Monte Sinai de Juiz de Fora. ID: 5678-E – Interpretation: NORMAL

COMENTS: DISPNEIA AOS ESFORÇOS. DPOC + DOENÇA INTERT. EM USO DE ALENIA.
LAST CALIBRATED: Fri 17 Feb 2006 10:44:00 am

Type
Test
Date
Time
Exp. Time
Normals
Test #
Pre-BD
Fri 17
Feb 2006
11:04:50 am
5.9 secs
KNUDSON/IMTS
7
Post-BD
Fri 17
Feb 2006
11:33:52 am
10.7 secs
DNUDSON/IMTS
2
Reference
Fri 17
Feb 2006
10:59:48 am
FVC=3.42 L
FEV 1=2.70 L
 

Dilatador: SALBUTAMOL-400 MCG VIA INAL

Expire
Pre-Medication
Post-Medication
Pre-Post
Pre-Post
Pred
Actual
% Pred
Actual
% Pred
Actual
% Chg
Value
FVC
3.66 L
86.43 %
3.76 L
88.87 %
0.10 L
2.82 %
4.23 L
FEV 1.0
2.75 L
82.31 %
2.75 L
82.14 %
-0.10 L
-0.20 %
3.35 L
FEV 1.0/FVC
75.25 %
95.23 %
73.04 %
92.43 %
-2.01 %
-0.80 %
0.79 %
PEF
11.85 L/S
151.22 %
11.92 L/S
152.09 %
0.07 L/S
0.58 %
7.84 L/S
PEF 25-75%
2.06 L/S
63.53 %
1.87 L/S
57.51 %
-0.20 L/S
-9.47 %
3.25 L/S
PEF .2-1.2
9.67 L/S
151.14 %
9.87 L/S
154.29 %
0.20 L/S
2.09 %
6.40 L/S
Inspire
Pre-Medication
Post-Medication
Pre-Post
Change
 
Actual
Actual
Actual
% Chg
IVC
3.30 L
3.45 L
0.15 L
4.58 %
LAUDO: O presente estudo da função pulmonar, em espirômetro de fluxo Multispiro SXPC, de circuito fechado, encontra-se dentro dos limites da normalidade, segundo critérios da ATS*. Cabe ressaltar que não houve melhora dos parâmetros espirométricos após uso do broncodilatador (Salbutamol-400 MCG) por via inalatória. Correlacionar com dados clínicos e radiológicos.
(*) Diretrizes para Testes de Função Pulmonar. J.Pneumol 28 (Supl 3), out.2007.

2. M.O.G.A., sexo feminino, nascida em 25.11.59, residente no Canadá. Primeira consulta em 17.1.05, com quadro de bronquite tabágica, 12 cigarros por dia, apnéia do sono. Perda do paladar e do olfato. Realizado o teste Peak-flow, apresentou resposta: 300 (capacidade expiratória normal entre 150-450). Portanto: NORMAL. No entanto o TPC = 1,0 cm. Após tratamento antroposófico e suspensão do cigarro, retornou em 11.6.07 (cinco meses depois), relatando melhora do quadro bronquítico. Novo TCP = 2,0 cm. Portanto, houve melhora clínica substancial, sem queixas de dispnéia e o TCP mostrou-se compatível com a melhora clínica, apesar de estar distante de uma capacidade pulmonar saudável. Continua com o tratamento preconizado e no último retorno em 2008, sem queixas pulmonares.

3. W.M.B.B – sexo feminino, nascida em 11.3.29, primeira consulta em 17.11.81, com quadro de Bronquiectasia. Relata que desde os 6 anos de idade apresentou pneumonias de repetição; aos 18 anos abcesso pulmonar e aos 22 anos tuberculose pulmonar. Espirometria em 1.1.80: “distúrbio funcional obstrutivo, broncoespasmo”. Tosse catarral e hemoptises permanentes. Em consulta de 6.5.99, foi realizado este teste pela primeira vez: TCP = 1,0 cm. Em TC de 4.4.02, apresentava “fibrose pulmonar com calcificações granulomatosas e linfonodos calcificados”. Na última consulta, em 13.9.07, relata melhora da hemoptise, pois há anos que não necessita mais do injetável Stibium praep, anti-hemorrágico antroposófico. Por isso o TCP = 2,0 cm está compatível com a história clínica de melhora pulmonar. Em contrapartida apresenta IRC (insuficência renal crônica) e anemia, mas controladas com a medicação antroposófica.

4. J.P.B., sexo feminino, nascida em 19.7.35, residente no Rio de Janeiro, primeira consulta em 13.9.07, com queixa de “hipertensão emocional” (180x80). Fumante desde os 13 anos de idade, um maço por dia. Espirometria em 11.9.06: “distúrbio ventilatório obstrutivo. Prova broncodilatadora + com obstrução reversível”. O TCP = 1,0 cm.


5. H.H.F., sexo feminino, nascida em 15.1.53, terapeuta facial, residente no Rio de Janeiro. Primeira consulta em 18.11.06, peso de 57 Kg, com quadro de fibrose pulmonar, firmado pela TC de 29.11.06: “fibrose do ápice pulmonar direito”. TCP = 2,0 cm. No retorno, em 22.6.07 (oito meses depois), aumentou o peso para 61 Kg e melhora clínica com a medicação antroposófica. Novo teste para controle: TCP = 3,0 cm mostrou-se compatível com a evolução clínica.


6. COMENTÁRIOS

O “Teste de Capacidade Pulmonar” (TCP), desenvolvido nesta Clínica, é um recurso complementar importante na análise quantitativa dos quadros pulmonares, em que há déficit ventilatório. Apesar de seu caráter simplista de manipulação (apenas uma fita métrica), tem se mostrado eficaz e superior aos testes convencionais. Serve para avaliação quantitativa de perfussão respiratória e acompanhamento destes quadros clínicos. Ele está indicado para o clínico geral, pneumologista, fisioterapeuta, professor de educação física, etc.

7. SUMMARY

This work aims to present the "test of lung capacity" (TLC), developed by the author, with assessorship of the pulmonologist of this Clinic, which intend to measure the ability of inspiration in: cases suspected of ventilatory deficit, cases of declared lung disease, and to follow up the development of these diseases. Due to ease of implementation (a metric ribbon), it is a good tool for supplement the basic examination of General Practitioner, pulmonologist, physiotherapist, speech pathologist, professor of physical education and so on.

Key words: Pulmonary Function Testing, Evaluation of pulmonary inspiratory capacity, test of control of pulmonary fibrosis and other pulmonary diseases, anthroposophic medicine.

8. BIBLIOGRAFIA

MURRAY, J.F.; NADEL, J.A.: Textbook of respiratory medicine. Vol. I – WB Saunders Company. 2 nd 803-805, 1994.
KORY, R.C.: Clinical spirometry. Recomendation of the section on pulmonary function testing. Committee on pulmonary physiology american College of Chest Physician. Dist. Chest. 43: 214-219, 1963.
DUBOIS, A.B.: Resistance to breathing. IN FENN, W.O.; RAHN, H.; (eds) Handbook of phisiology: A critical comprehensive presentation of physiological knowledge and concepts. Vol. 1 Washington DC: American Physiological Society, pp. 451-46, 1964.
GIBSON, G.J.; PRIDE, N.B.: Lung distensibility – the static pressure-volume curve of the lungs and its use in clinical assessment. Br. J. Dis. Chest. 70: 143-184, 1976.


(*) clínico antroposófico – Diretor Clínico da Clínica Médica Antroposófica Vivenda Sant´Anna – Juiz de Fora (MG).
(**) pneumologista antroposófica – Clínica Médica Antroposófica Vivenda Sant´Anna – Juiz de Fora (MG)